20 de Novembro de 2009

No coração do Dão

Paço dos Cunhas de Santar – Largo do Paço, Santar, tel. 232 945 452/ 965 667 899.
Cozinha de autor com base nos produtos regionais. Excelente garrafeira. Preço médio: €35

Em terras de Santar
Na pitoresca e vizinha povoação de Santar são outros os ambientes que nos acolhem – sofisticados –, mas igualmente ligados aos prazeres do palato. Dirigimo-nos ao Paço dos Cunhas de Santar, recuperado o ano passado pela Dão Sul e eleito “Enoturismo do Ano 2008”. Trata-se de um belo edifício setecentista que alberga um restaurante, loja de vinhos e winebar. É rodeado por jardins e pela senhorial Casa do Soito, que integra, ainda, 25 hectares de vinha, hortas, pomares e zona arbustiva. Nela se pretende fazer surgir um hotel de charme, condicente com o edifício já restaurado pelo arquitecto Pedro Mateus, com atelier no Porto, que realizou um notável trabalho de reabilitação desta estrutura, erguida à imagem do estilo renascentista italiano.
Apesar do peso da pedra e dos anos, a sensação é a de que se está num edifício contemporâneo – o que, em parte, é verdade, já que o interior foi concebido de raiz, com excepção do lagar. Essa dependência é agora uma sala destinada a encontros de empresas ou refeições para grupos até 120 pessoas ou workshops e provas de vinhos (aconselha-se marcação prévia).

Refira-se que a vizinha e mítica Casa de Santar, solar dos séculos XVII e XVIII, propriedade da condessa D. Tereza de Lencastre de Mello, há 15 gerações na família, está envolvida neste projecto de enoturismo, pelo que o espaço da adega, capela, cozinha velha, sala dos coches e jardins podem ser visitados. Trata-se de uma excelente forma para abrir o apetite, já que no Paço os jovens chefs Luís Almeida e Diogo Rocha, de 22 e 25 anos, respectivamente, nos irão provar porque são já uma referência na região. Propõem cozinha de autor com produtos tradicionais e pratos tão originais quanto peito de codorniz, trufa laminada e telha de cenoura, trouxa de mariscos acompanhada de creme de abóbora, emulsão de coentros e alho francês ou enrolado de polvo com legumes frescos salteados (a carta varia sazonalmente). Quanto às sobremesas, desde o creme de arroz-doce, com semifrio de canela e estaladiço de limão ao pão-de-ló, com sorvete de citrinos e hortelã, todas as escolhas são acertadas. Só tem um senão… deixam algum peso na consciência (pelo menos).

In "Revista: Rotas & Destinos"

5 de Novembro de 2009

Diogo Rocha: "O Queijo da Serra é um produto que não precisa de muitas voltas para brilhar"
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Barrar um pão com Queijo da Serra a qualquer hora do dia era um gesto tão normal na infância e adolescência de Diogo Rocha como comer um pedaço de pão com manteiga. "É um produto que sempre existiu em casa dos meus pais", recorda o chefe do Paço dos Cunhas de Santar. "A minha mãe só se zangava por eu lamber a colher e voltar a pô-la no queijo." Hoje em dia, os hábitos de consumo mantêm-se mas as tentações são um pouco diferentes. Quando está com um ratinho, o chefe prepara uma fatia de pão com lascas de cabrito, coloca uma noz de Queijo da Serra em cima da carne e depois leva-a a gratinar. Segundo ele, é uma refeição ligeira que "funciona lindamente". Queijo da Serra aquecido acompanhado com legumes ou migas, gelado de Queijo da Serra, ananás caramelizado com Queijo da Serra ou um simples bife com o dito são pratos que constam ou já constaram nas cartas dos restaurantes da Quinta do Cabriz ou do Paço dos Cunhas de Santar, dos quais Diogo Rocha é chefe executivo. Mas as composições das receitas não são por regra complicadas. O Queijo da Serra, "por si só, já é um excelente produto". Quanto ao sabor, o chefe considera o queijo que os pequenos produtores fazem em casa melhor. Mas termos de segurança, concorda que o produzido de forma controlada tem mais qualidade. Quem não se quer arriscar a comprar gato por lebre, o melhor é optar por um produto DOP, desde que acompanhado pelo rótulo de certificação oficial e pelo numero de identificação do produtor (informação fixada na parte de baixo do queijo). A receita não será a mesma que Columela, oficial do exército romano, descreveu há quase 2000 anos no primeiro grande tratado de agricultura conhecido. Mas é seguramente um dos mais antigos e melhores queijos do mundo.
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In "Revista Única (Expresso), 31/10/2009, por Teresa Resende"
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22 de Outubro de 2009

Um texto sem a letra "A". Isto é possível?

É possível, sim ...
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Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e recursos fértil em diversos, tudo isso Permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode dizer-se tudo, com sentido completo, como se isso fosse mero ovo de Colombo, desde que se tente. Sem se inibir, pode muito bem Empreender o leitor este belo Exercício Dentro do nosso Fecundo e peregrino dizer português, Puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e Honroso reconhecimento.
Trechos difíceis resolvem-se com sinónimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento Instrutivo.
Brinque-se com tudo mesmo.
É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", escolher o que quiser. Podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém, mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem hoje o nosso português, culto e belo substituí querendo, tradução-lo pelo. Porquê?
Cultivemos o nosso Polifónico e Fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos Povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, oh moços estudiosos, escritores e professores!
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugil, de heróis e de nobres Descobridores de novos mundos!
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Autor: Desconhecido

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18 de Outubro de 2009

OBRIGADO FAMILIA !!!!!!!

U2 360º TOUR

EU VOU LÁ ESTAR !!!



AGRADECIMENTO ESPECIAL A TODOS OS MEUS FAMILIARES QUE TORNARAM ESTE SONHO EM REALIDADE.
OBRIGADO: DIOGO, SARA, ELIANA, JOSÉ, TÂNIA E MARISA



17 de Outubro de 2009

Arroz com chá

Há cada vez mais gente a utilizar carqueja em culinária. Para Diogo Rocha, é "um sabor de infância". A carqueja é muito usada na Beira Alta para infusões e tempero de pratos, como o arroz de carqueja. Foi por causa da familiaridade com esta receita tradicional que o chefe de Canas de Senhorim decidiu transformá-la numa das opções da ementa do Paço dos Cunhas de Santar, sem grandes alterações em relação à confecção original. Ou seja, o chefe coze o arroz numa infusão da planta. A única diferença é que no restaurante, "Às vezes, reduz-se o chá para concentrar ainda mais o sabor a monte", explica Diogo. Na verdade, é nos montes e matagais, sobretudo no Norte, que a carqueja nasce espontâneamente ao lado de outras plantas bravas, como a giesta, a esteva e o tojo. O que se aproveita para cozer o arroz ou para temperar carnes estufadas- diz-se que dá um sabor bravo ao coelho manso- são as pontinhas dos caules. Ainda assim, na opinião de Diogo Rocha, é preferível fazer infusões e usar os caldos para temperar do que empregar os caules directamente nas marinadas. Entre Abril e Maio, a planta enche-se de uma flor amarela que é colhida e seca e serve também para fazer infusões, não para condimentar a comida, mas para beber. Este chá é muito apreciado por ter um efeito diurético. Também se pode comer a flor, que segundo o chefe do Paço dos Cunhas de Santar, é resinosa e tem um sabor adstringente.
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In "Revista Única (Expresso), 17/10/2009 por Teresa Resende"

11 de Outubro de 2009

Um Tesouro Beirão


Diogo Rocha é fã de bucheira, uma espécie de morcela, típica da Beira Alta, com um forte sabor a cebola e muita gordura.
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Nascido em Canas de Senhorim, a poucos quilómetros de Santar, Diogo Rocha sente-se duplamente em casa no Paço dos Cunhas de Santar. Além de ter raízes naquela região beirã, foi ele e a equipa que o acompanha que lançaram as sementes e deram um rumo ao restaurante que há um ano ocupa uma parte do antigo paço. Desde o início, a preocupação do chefe foi dar uma nova vida aos produtos da terra, um cuidado que se nota desde logo na carta da casa. Uma das propostas da ementa é bucheira com entrecosto cozido, puré de castanha e grelos, um prato inspirado na tradição gastronómica da Serra da Estrela e arredores (ver receita)..
A bucheira é um enchido típico da Beira Alta, que se pode incluir no grupo de morcelas. Segundo Diogo Rocha, não existe em mais lado nenhum, mas, como não foi objecto de qualquer qualificação de origem geográfica ou protegida, é difícil encontrar na região um só sabor para este enchido. "Todos os talhos têm bucheiras, mas são diferentes de lugar para lugar." Para o gosto do chefe, a melhor bucheira é a de Fiais da Telha, uma aldeia do concelho de Carregal do Sal, situada entre as serras do Caramulo e Estrela. Por tradição, a bucheira acompanha carnes cozidas, o método de confecção outrora mais usado por causa das salgas. Quanto ao sabor, é fortemente marcado pela cebola, um dos seus ingredientes, além do sangue e carne gorda, muito gorda. Diogo Rocha diz que o paladar não é comparável ao de nenhum outro enchido. "É uma morcela maravilhosa, só que é um pouco indigesta", admite o chefe do Paço dos Cunhas. Por isso, convém ter um bom estômago para a digerir ou então acompanhá-la com um touriga nacional, que, segundo o chefe, também ajuda a fazer a digestão..

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Bucheira, entrecosto cozido, puré de castanha e grelos: (4pessoas)
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2 bucheiras; 0.6 Kg de entrecosto; 0.5 Kg de castanhas; 0.5 Kg de grelos; 100g cebola; 20g de alho laminado; 10g de pimenta branca; 1g pimenta da Jamaica; 1 folha de louro.
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LIMPE o entrecosto, deixando os ossos bem limpos. Coza o entrecosto e a bucheira com as especiarias, o alho, louro e um fio de azeite. Faça um refogado com azeite, alho e cebola; junte as castanhas e um pouco de água; tempere com sal e pimenta, tape o tacho e deixe cozer. Depois de cozidas as castanhas, faça o puré e rectifique temperos. Coza os grelos na água de cozer as carnes.
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In "Revista Única (Expresso), 09/10/2009, por Teresa Resende"
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6 de Outubro de 2009

Aqui há tacho!

Quando se fala de politica, vem-me sempre à cabeça a palavra Tacho... vá-se lá saber porquê.
E já que se fala de Tacho, deixem-me que desta vez, arrede um pouco as atenções da vida politica e se fale do dito Tacho na verdadeira ascensão da palavra.

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Diogo Rocha: "No Paço dos Cunhas de Santar faz-se uma cozinha de base portuguesa, com os produtos da região, mas usam-se as técnicas modernas para proporcionar refeições mais equilibradas."
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Não foi por acaso que Diogo Rocha escolheu como ponto de encontro o granítico paço seiscentista, mandado construir por D. Pedro da Cunha ao estilo da Renascença italiana. É aqui que está aquilo a que ele chama o seu "filho legítimo". Aberto há um ano, o restaurante Paço dos Cunhas de Santar é 100 por cento da responsabilidade do jovem chefe, "desde o desenho do espaço de trabalho às propostas da lista". No Paço dos Cunhas faz-se uma cozinha "de base portuguesa". Os produtos da região são os protagonistas, mas é-lhes dada "uma volta utilizando as técnicas modernas para proporcionar uma refeição mais equilibrada". E o primeiro protagonista das cinco refeições que o chefe apresentará ao longo de Outubro é a amora silvestre, que, não sendo exclusiva da região do Dão, abunda nos terrenos do paço, à volta das vinhas. Diogo Rocha costuma usar este fruto no empratamento, como elemento decorativo, mas decidiu dar ainda mais destaque à amora criando uma nova sobremesa. "É o que fazemos habitualmente; criamos os pratos em função do produto."
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Creme queimado de amoras com bolacha de milho e avelã: (4 pessoas)
200 g amoras;50 g de açucar em pó; 3 gemas; 0,260l de natas; 0,3 dl de leite; 3 claras; 40 g de manteiga; 20 g de farinha de trigo; 40 g de farinha de milho; 50 g de avelã em pó.
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Triture as amoras e passe pelo chinês. Junte o açucar e as gemas, e adicione o puré de amora mexendo sempre. Ferva as natas com o leite e adicione ao preparado anterior, mexendo com as varas. Passe todo o preparado pelo chinês coloque em taças e leve ao forno a 100 graus durante 55 minutos. Para a bolacha, bata as claras ligeiramente, junte as farinhas e a manteiga e mexa bem. Espalhe a massa num silpat com o formato que desejar, ou numa folha de papel vegetal, e leve ao forno a 160 graus cerca de 4 minutos.
In "Revista Única (Expresso) 03/10/2009 por Teresa Resende"

Sondagens "Canas City"

Estão aqui as sondagens realizadas neste blogue para a Junta de Freguesia de Canas de Senhorim e para a Câmara Municipal de Nelas.
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1 de Junho de 2009

Borgstena suspende lay-off

A Candidatura ao Plano de Apoio ao Sector Automóvel (PASA) apresentada pela Borgstena, fábrica de tecidos automóveis em nelas, foi chumbada.
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O Instituto de Emprego e Formação Profissional não aceitou a candidatura porque a empresa entre Janeiro e Fevereiro reduziu uma centena de postos de trabalhos.

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"Nós tivemos conhecimento do PASA logo numa fase inicial, em que havia uma indicação de que para concorrermos não podia haver um despedimento colectivo. E optamos por não recorrer a um plano de despedimento colectivo. O número de pessoas que queríamos reduzir fizemos através de acordos mútuos", explica o director Geral, Joaquim Albuquerque, justificando, que a versão final do PASA definia que a empresa tinha de manter o mesmo número de trabalhadores, numa altura em que a empresa já tinha despedido alguns operários. "Não conseguimos cumprir esse requisito. No início tinhamos 300 trabalhadores, mas depois do incêndio os contratos que eram recentes não foram renovado. Com a alteração da conjuntura de mercado houve ainda a necessidade de reduzir cerca de 100 postos de trabalho", refere.

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Apesar do chumbo da candidatura, o director garante que a empresa vai suspender com o lay-off que estava em vigor desde Fevereiro. "Tivemos um aumento de vendas de cerca de 10 por cento. Conseguimos a redução de custos, através da renegociação das matérias-primas com os nossos fornecedores", explica Joaquim Albuquerque.

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De acordo com o director, a empresa vai retomar a produção em pleno em Julho já nas novas instalações.

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23 de Maio de 2009

Distrito com mais 5.500 desempregados em 2009

Os dados relativos ao número de desempregados no distrito de Viseu permitem concluir que houve um aumento de 5. 600 desempregados no primeiro trimestre de 2009. Mangualde é o concelho onde, proporcionalmente, se regista o maior aumento, de acordo com a comparação entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. Numa análise geral do quadro dos concelhos, regista-se que em todos os 24 aumentou o número de desempregados.
De acordo com um trabalho desenvolvido pelo Jornal do Centro – com base apenas nos dados disponíveis no Instituto de Emprego e Formação Profissional, uma vez que os dados estatísticos do Instituto Nacional de Estatística apenas disponibilizam números referentes à região Centro, justificando que as ‘estatísticas do emprego’, não vão ao nível de distrito, só se encontram até a desagregação de NUTS II" – comparando os últimos três meses de 2008, com os primeiros três de 2009, o concelho de Viseu regista mais 1296 desempregados. No entanto, sendo capital de distrito, de dimensão superior relativamente aos restantes aglomerados, leva à conclusão que Mangualde, com um aumento de 623 desempregados é onde está a maior mancha. Na posição seguinte surge o concelho de S. Pedro do Sul, com mais 479 desempregados, Nelas com mais 460 e Cinfães com mais 396 residentes no desemprego. Por outro lado, Vila Nova de Paiva e Lamego, são os concelhos com menor aumento, seguidos de Armamar e Penedono.
Face a este cenário não é difícil encontrar explicações para tal realidade. A dispensa de mais de 400 trabalhadores da Peugeot/Citroën, em Mangualde desde o início do ano, é a principal razão, sobretudo, para o aumento de desempregados em Mangualde e Nelas, uma vez que a fábrica, sendo a maior empregadora do distrito de Viseu, absorve trabalhadores de vários concelhos vizinhos, nomeadamente, Nelas, Penalva do Castelo e Viseu. Já em Cinfães, o número elevado de desempregados explica-se com a quebra da construção em Espanha, para onde emigravam famílias inteiros para trabalharem na construção civil e agora vêm-se obrigadas a regressar por não terem já trabalho no país vizinho a viver a crise internacional.
Este cenário vai ao encontro do panorama nacional. A taxa de desemprego atingiu os 8,9 por cento no primeiro trimestre de 2009, o que representa um agravamento face aos 7,6 por cento do período homólogo de 2008. Ainda assim, os valores mais baixos encontram-se na zona Centro (6,7, contra os 5,7 de 2008), que absorve 14 dos 24 concelhos do distrito de Viseu (os restantes 10 fazem parte da região Norte).
Analisando o distrito, concelho a concelho, encontra-se uma distância normal que vai entre Viseu e os restantes, mas regista-se a surpresa ao ver Cinfães (1295 desempregados em Março) logo depois de Lamego (1479 desempregados em Março) e acima de Mangualde (1151 desempregados em Março). Penedono é o concelho com menos desempregados (93 em Março), seguindo-se Sernancelhe (206 desempregados em Março) e Mortágua (244 desempregados em Março).
Emprego no comércio volta a crescer> A população empregada no sector do comércio em Portugal voltou a crescer no primeiro trimestre de 2009, de acordo com os dados do inquérito ao emprego, do Instituto Nacional de Estatística (INE). O sector, em contra-ciclo com os números referentes ao emprego, registou um aumento de 1,2 por cento, que corresponde a um ganho líquido de nove mil postos de trabalho, adianta o INE.
A população empregada no sector do comércio em Portugal situa-se agora nos 791.6 indivíduos.
O secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, sublinha em comunicado que "os dados vêem confirmar que o sector do comércio tem conseguido encontrar soluções que permitam criar desde 2005, mais de 18,7 mil postos de trabalho".
Esta visão optimista do Governo contrasta com a opinião dos agentes do sector no distrito de Viseu. Ao pessimismo dos comerciantes, que assistem a fortes quebras nas vendas obrigando-se "a despedir funcionários para não fechar a porta para todos", junta-se a voz do presidente da Associação Comercial do Distrito de Viseu, Gualter Mirandez. O dirigente admitia no início de 2009, que "20 a 30 por cento" do comércio tradicional deve fechar as portas este ano, com consequências "desastrosas".
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IN "Jornal do Centro, 22 de Maio de 2009"